Às vezes a desesperança vem com força... Eu fico imaginando que não existe para mim a chance de fazer alguma coisa efetivamente dar certo. Eu queria tanto ao menos poder chorar... Porque tem tanta coisa doendo dentro de mim, que cada pedaço consegue sentir de alguma forma.
É tão desesperador perceber que depois de tanto esforço, com os braços tão cansados de nadar, eu ainda estou onde estou e fazendo o que estou fazendo... Pensei que estaria em outro lugar. Algumas coisas parecem não mudar pra mim. E eu me importo, mesmo não devendo me importar tanto assim, eu me importo como se cada gota de vida, fosse a minha vida inteira.
Achei realmente que nunca mais passaria por um conflito dessa magnitude. Acreditei, que minha existência estava escrita com caneta definitiva, ou num arquivo "somente leitura" e depois "the end". Imaginei que passaria dia por dia vivendo certezas num quintal com cercadinho, bem bonito e com roseiras do lado de dentro, e que olharia a lua da janela, feliz da vida por estar protegida e tranquila. Mas um dia, eu percebi que os passarinhos mais bonitos voavam muito além do meu roseiral e que eu só queria descobrir onde é que eles passavam a noite e qual era o galho em que pousavam pr'o encontro em que então harmonizavam suas melodias, ou que ensaiavam seu próximo vôo... Eu passei a notar o que eu não via... Talvez porque os velhos óculos em preto e branco deixaram de se fazer necessários e eu pareço conseguir ver um pouquinho de cor. Meus olhos vermelhos começaram a clarear e mesmo com a força da luz, não conseguem mais fechar.
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