Achei realmente que nunca mais passaria por um conflito dessa magnitude. Acreditei, que minha existência estava escrita com caneta definitiva, ou num arquivo "somente leitura" e depois "the end". Imaginei que passaria dia por dia vivendo certezas num quintal com cercadinho, bem bonito e com roseiras do lado de dentro, e que olharia a lua da janela, feliz da vida por estar protegida e tranquila. Mas um dia, eu percebi que os passarinhos mais bonitos voavam muito além do meu roseiral e que eu só queria descobrir onde é que eles passavam a noite e qual era o galho em que pousavam pr'o encontro em que então harmonizavam suas melodias, ou que ensaiavam seu próximo vôo... Eu passei a notar o que eu não via... Talvez porque os velhos óculos em preto e branco deixaram de se fazer necessários e eu pareço conseguir ver um pouquinho de cor. Meus olhos vermelhos começaram a clarear e mesmo com a força da luz, não conseguem mais fechar.
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Mostrando postagens de outubro, 2016
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Todos os dias, quando acordamos, podemos perceber as coisas de um modo totalmente novo e talvez, enxergar aquilo que antes as nuvens do sentir encobriam. A vida é esperar a rodada certa pra jogar a carta decisiva, porque a gente perde o jogo se não tem paciência. Mas a vida é também perda e na perda, há ganhos. É preciso então, aprender a sair da mesa e levar o que se aprendeu. E é preciso voltar no dia seguinte, inteiro, mais esperto, pronto pra jogar pelo motivo certo, que afinal, é a diversão.
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Por mais que a gente se esforce, há sempre coisas que não conseguimos dizer. A gente sente com tanto afinco que precisa se mostrar exatamente como se é, mas as palavras não exprimem todas as coisas... E acredito que não há linguagem nessas horas que transmita mais verdade, que um olhar. "Os olhos são a janela da alma" disse Alphonse Karr, e é difícil decidir se isso é uma dádiva ou um martírio. Há tanta coisa em nós que não queremos tocar... Imagine só deixar que alguém transponha. Mas as coisas que já existem, encontram sempre um caminho para se fazer notar, como a água em seu percurso implacável, que encontra até mesmo entre as rochas espaços vazios para jorrar e então se deixa derramar. Existe então o livre arbítrio? As escolhas que fazemos parecem não ter tanta importância quando pensamos nos impulsos elétricos que tomam conta de nossos corpos e...
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Quando me surge um pensamento, que não me lembro de ter convidado, pergunto-me, quem é que está falando, pois a pouco descobri que uma outra mora em mim. Não se trata de anjo ou demônio, descobri. Nada tem a ver com filosofia japonesa yin-yang, dualidade de todas as coisas, puro e profano. Essa pessoa, que eu jamais procuro, me encontra sozinha sempre que eu começo a me perder... E de repente, volto inerte, ainda lá, bem pequenina... E já profundamente mergulhadas uma na outra, com a óbvia frequência muito mais equalizada de quem mal conheço e por isso é que tanto me instiga, vejo tanta força que não posso compreender onde foi que encontrou. Quando eu desisto de sentir, ela pulsa. Eu fico querendo me arrastar, aproximar, mas ela me assusta. Só fala acerca de si, e me pergunto qual de nós é realmente egoísta.
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Ponto de equilíbrio, chão, pedaço de corda para segurar... Esses nós que não me prendem, esses laços que eu não tive e alguém pra me dizer, que sou eu quem decide se isso é solidão, ou liberdade. É perigosa a desconstrução de um ser, que construiu-se sem alicerces quaisquer que pudessem suportar uma queda. É dor o que a gente sente, quando voa por aí sozinho e sabe que não há para onde voltar. E se a gente encontra um ninho, logo quer ficar, se aconchegar. Estar sozinho, o que será? Será que a palavra define realmente o sentido? Ou no meio do caminho sonoro que persegue até chegar aos ouvidos de alguém, se transforma? Há tanto vazio em uma praça cheia... E pode haver plenitude numa noite qualquer sendo a própria companhia. Mas isso tudo são palavras. Como é intransponível o muro que a gente cria pra se manter de pé, como é intrincado um coração com tanto o que sentir, sem uma estrela que o guie, que não ele mesmo e seus batimentos, tantas vezes descompassados. Como é fácil signific...