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A gente passa a vida querendo controlar tudo, como se isso fosse passível de acontecer, mas claramente não é... e o desgaste que isso nos custa... A gente não recupera essa energia das horas perdidas nunca mais e demora muito pra tensão deixar os nossos ombros. Pensei que não chegaria o dia em que eu não e importaria com as coisas que vem de fora, mas hoje, talvez só por hoje, eu não me importo e me sinto mais leve. No fim, não vale a pena. Entenda: não vale a pena. Você dá o seu melhor todo dia, se doa e se esforça, procura não machucar ninguém pelo caminho, ajuda, se importa? É o suficiente. Você é suficiente. E você vai além disso, sempre que percebe que pode melhorar, que pode mudar de opinião, que pode aprender e mesmo assim, sabe que deu naquele momento o que tinha pra dar e fica em paz com o que já passou. As pessoas, as coisas, o tempo, os processos... Eles não dependem de você. Só você depende de você. E se dentro de você estiver tudo em paz, não importa o que vai acontece...
Às vezes a desesperança vem com força... Eu fico imaginando que não existe para mim a chance de fazer alguma coisa efetivamente dar certo. Eu queria tanto ao menos poder chorar... Porque tem tanta coisa doendo dentro de mim, que cada pedaço consegue sentir de alguma forma. É tão desesperador perceber que depois de tanto esforço, com os braços tão cansados de nadar, eu ainda estou onde estou e fazendo o que estou fazendo... Pensei que estaria em outro lugar. Algumas coisas parecem não mudar pra mim. E eu me importo, mesmo não devendo me importar tanto assim, eu me importo como se cada gota de vida, fosse a minha vida inteira.
Fechei os olhos e notei a minha respiração. Senti o ar entrar em meus pulmões e percebi a simplicidade nisso. Olhei o céu azul pela janela e senti um sol ameno. Ouvi o barulho dos pássaros e também dos carros e de uma musiquinha que alguém colocou pra tocar. Voltei novamente para mim e quase pude sentir os pesares e preocupações dentro do coração. Eles realmente pesam, têm um peso literal. Olhei para eles de olhos fechados e assim mesmo os solucionei. Não encontrei nenhuma fórmula mágica ou ideia salvadora... dei-me conta da grandeza de tudo. Dei-me conta da imensidão naquilo que não tem preço, não tem prisão... o que ganhamos do universo. Caí em mim. Foi uma queda lenta, ainda estou caindo. Entendi por um momento, de um modo diferente, o que é oportunidade. Entrou oxigênio, saiu gás carbônico, mas eu sei que respirei amor.
Esse não é um texto sobre como a vida trás lições lindas em que no final compreendemos a razão. Não é um texto sobre as delícias simples do dia a dia que devemos ter sensibilidade para perceber. Esse não é o tipo de texto inspirador, que te faz refletir e abraçar mais as pessoas, ou ver mais pores de sol. E também não é nada de excepcional. Trata-se só do transbordar de um ser humano, já meio morto, que conheceu em cada partícula do seu corpo e mente o que é o cansaço. Que sentia cada célula exausta e ainda assim, andava por aí entre os vivos e se camuflava sempre que conseguia, com todo o medo iminente de que alguém percebesse sua farsa a qualquer momento em um passo descontextualizado e lhe apontasse o dedo. Aqui eu falo de mim, e como dói que seja de mim... e isso também não é falta de empatia, é só que eu acho mesmo interessante essa facilidade que se vê o tempo todo de falar do que não se lhe pertence com tanta propriedade. Eu disse antes que dói? Eu acho que já nem sei sentir. ...
Veja bem, não é que eu não queira olhar e ver tudo positivamente. Não é que eu não acorde e veja o dia e não pense "hoje vai ser bom!" Ao contrário, mesmo com todo o peso que eu sinto todos os momentos, todos eles, eu levanto com uma pontinha de esperança de que vai ser diferente, e eu começo me responsabilizando por isso, sim! Daí eu dou bom dia pra's pessoas no caminho, eu elogio o cachorro de alguém que passeia e passa por mim, eu ouço uma música alegre e mentalizo coisas boas. Eu converso com Deus, eu digo obrigada. Mas tudo insiste em mudar o percurso e eu acabo engolindo o choro durante o dia, tendo sinais corporais de exaustão mental e vou deitar só querendo esquecer de tudo. Então dou aquele sorriso automático pra quem me vê e tudo bem, tudo bem. Foi-se mais um dia, e eu ainda estou aqui.
Acordar e ser feliz. Tão difícil? É um novo dia, uma nova razão e um milhão de possibilidades. Então vc levanta e diz: "mais um dia..." Mas não precisa ser igual. É você quem faz o dia, o poder está nas suas mãos, sim, ele está. Existem coisas que não podemos mudar, é verdade, mas tantas outras dependem somente de uma atitude diferente.
Meu amor... Eu já passei por tanta coisa na vida... Você sabe, não foi fácil. A maioria das pessoas não sabe de tudo e eu tão expansiva que sou, sempre escondi tantas coisas embaixo do meu mundo de palavras, que nada era óbvio sequer para mim. Eu já quis esconder o que eu era, o que eu pensava e almejava... Eu já quis carregar o mundo nas costas muitas vezes e acabei atravancando o caminho: o meu e o das outras pessoas. Sempre fui atrapalhada e durante muito tempo, tive a visão convicta de ser um ser acabado. Eu passei por desertos que ninguém viu. Senti dores intensas e pensei que era melhor não estar viva, muitas vezes... eu quis só dormir e pedi a Deus que me deixasse fazer isso por muito tempo, porque somente dormindo eu não sentia aquela dor. Eu sei que quando as pessoas olham pra mim, enxergam um prato cheio pra colocar plaquinhas e definir tudo que eu deixo aparecer e que parece tanto e na verdade é tão pouco... A verdade é que eu tenho o maior sorriso de disfarce e o maior ...