Ponto de equilíbrio, chão, pedaço de corda para segurar... Esses nós que não me prendem, esses laços que eu não tive e alguém pra me dizer, que sou eu quem decide se isso é solidão, ou liberdade.
É perigosa a desconstrução de um ser, que construiu-se sem alicerces quaisquer que pudessem suportar uma queda. É dor o que a gente sente, quando voa por aí sozinho e sabe que não há para onde voltar. E se a gente encontra um ninho, logo quer ficar, se aconchegar.
Estar sozinho, o que será? Será que a palavra define realmente o sentido? Ou no meio do caminho sonoro que persegue até chegar aos ouvidos de alguém, se transforma?
Há tanto vazio em uma praça cheia... E pode haver plenitude numa noite qualquer sendo a própria companhia. Mas isso tudo são palavras. Como é intransponível o muro que a gente cria pra se manter de pé, como é intrincado um coração com tanto o que sentir, sem uma estrela que o guie, que não ele mesmo e seus batimentos, tantas vezes descompassados. Como é fácil significar tudo isso com razão e senso comum, com percepção própria, sem jamais chegar aos meus sentidos.
Sentidos... O que são num mundo a esmo, num universo onde compartilhamos somente o que se cabe e o que não cabe, engolimos para não morrer de fome?
Num dia como hoje, onde há mais perguntas que respostas, resta contemplar o belo que há no silêncio e então ouvi-lo.

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