Às vezes me pergunto se essa coisa de sentir tudo não vai acabar me fazendo sucumbir. Como tendemos a olhar o copo sempre meio vazio... A gente, essa gente que já sofreu, cuja alma já esteve em pedaços milhares de vezes, tende a esperar que a qualquer momento, tudo desmorone, castelos e pontes. Daí constrói muros cada vez mais altos em volta de si. Mas a grande verdade, é que gente como eu, tem sempre a latente vontade de voar. Meu primeiro livro tinha esse nome, inclusive: "com vontade de voar". Contava a história de uma menina com alma livre como a de um passarinho. Sempre digo que a vida é responsabilidade nossa, que tudo que acontece nos pertence, porque é proveniente dos nossos atos. Mas a verdade é que também acredito nos fios da vida... Alguns fios ligados em volta da energia que a gente transmite, o que nos responsabiliza de novo. É como se a gente exalasse a nossa essência por aí, desde sempre e em lugares remotos, outras almas pudessem sentir.
Então eu também penso que esse copo pode ser mais que meio vazio. Aliás, muito mais que meio cheio. O meu copo transborda e isso pode parecer assustador, mas isso não é sobre a superfície. Isso é a minha raiz. Até a última célula em mim tem vontade de voar e mesmo depois de regenerar todas elas, a vontade está lá. 
A queda é sempre um risco iminente e nos torna mais prudentes. Mas alguns pássaros estão ávidos por tentar fazer melhor da próxima vez.
Então eu posso me abrir para isso. E tudo isso é o oposto de sucumbir.

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